<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613</id><updated>2011-04-21T23:32:52.003+01:00</updated><title type='text'>PROSAS</title><subtitle type='html'>RECOLHA E COMPILAÇÃO DE ARTIGOS DE OPINIÃO «POLITICAMENTE PUROS» RECOMENDADOS PELO BLOG PP - POLÍTICA PURA!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-108247032871134128</id><published>2004-04-20T15:10:00.000+01:00</published><updated>2004-04-20T15:16:35.216+01:00</updated><title type='text'>A CONFIANÇA</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Adriano Moreira&lt;/strong&gt;, no &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.dn.sapo.pt/cronica/mostra_cronica.asp?codCronica=7169&amp;codEdicao=1070"&gt;Diário de Notícias&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«O unilateralismo, que tem como referência observante a segunda guerra do Iraque, está a desenvolver-se em clima de catástrofe para um valor insubstituível, que é o da sociedade de confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O referido unilateralismo começou pelo efeito colateral das dúvidas sobre a credibilidade das alegações dos Governos que intervieram na coligação eventual, revestiu nova gravidade quando o eleitorado espanhol derrubou o Governo, na sequência da brutalidade terrorista que sofreu, e aprofunda-se com as audições levadas a efeito no Senado dos EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo numa circunstância em que diminuem as dúvidas sobre o facto de os ocidentais serem o objecto primeiro do terrorismo sem fronteiras, recordando que dificilmente se uniram no passado sem uma ameaça externa comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os apelos a essa unidade são acompanhados pela invocação do dever de ser usada a favor do restabelecimento da paz, assente numa ordem mundial renovada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é necessária muita análise para concordar em que, sem confiança entre os Estados, a unidade interna ocidental é frágil ou fracturada, que sem um Ocidente que tenha recuperado a definição da sociedade de confiança não é previsível a autoridade suficiente para arrastar adesões, e finalmente que, sem desencadear este movimento, não há regresso confiável à ONU, que tem de receber as contribuições indispensáveis para agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a crescente frequência com que as sedes do poder político, tantas vezes mais semântico do que real, apelam à sociedade civil para intervir com responsabilidade, ajude a regressar ao valor da sociedade de confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi oportuna, mas sem que tenha sido aproveitada, a intervenção de Alain Peyrefitte no último quartel do século passado, quando apelou à preservação da sociedade de confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurou inspiração num texto de 1753, de François de Forbonnais, que cita: «O grande objectivo de um Estado deve ser a confiança, e jamais a circulação das moedas é mais abundante do que quando nenhuma espécie de interesses leva os homens a esconder as suas propriedades ou a sua indústria», uma reflexão que certamente interessa os ministros das Finanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora o interesse é mais vasto, porque se trata da paz que se vai perdendo no teatro estratégico também globalizado, sem precedente histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um facto que, na vida presente dos Estados, desafiados por uma mundialização cujo tecido conjuntivo todos os dias aperta as malhas, mostra que a legitimidade da origem do poder é rapidamente ultrapassada pela legitimidade do exercício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exercício diariamente avaliado pelos observatórios de opinião, pelos fazedores de opinião, pela intermediação dos meios de comunicação, e espera-se que sempre pelos Parlamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o exercício do poder que assegura ou faz perder a legitimidade, por esmagadora que tenha aparecido originariamente no escrutínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é no escrutínio que em primeiro lugar, em regimes democráticos, se trata de preservar ou de restaurar a sociedade de confiança, nas suas duas vertentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vertentes estas que são: a confiança na vida da sociedade contratualizada que é a sociedade civil, e a relação de confiança desta com o poder político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reacção do eleitorado espanhol foi nesse sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se espera de nenhuma abstenção, ou voto em branco, qualquer contribuição para a recuperação da sociedade de confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sem esta não é previsível o regresso à paz»&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-108247032871134128?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108247032871134128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108247032871134128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108247032871134128' title='A CONFIANÇA'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-108126641489440284</id><published>2004-04-06T16:45:00.000+01:00</published><updated>2004-04-06T16:51:20.796+01:00</updated><title type='text'>SOLIDARIEDADE ATLÂNTICA</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Adriano Moreira&lt;/strong&gt;, no &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.dn.sapo.pt/cronica/mostra_cronica.asp?codCronica=7070&amp;codEdicao=1054"&gt;Diário de Notícias&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«A derrota do Partido Popular em Espanha, a decadência da autoridade do Governo francês, a mudança de liderança na Polónia, entre as referências mais recentes, sublinham a actualidade do conceito segundo o qual «o presente é complexo e o futuro é radicalmente incerto».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma moldura que se aplica com rigor aos ocidentais, os quais foram os construtores da ordem jurídica mundial hoje desafiada pelas áreas culturais que assumiram voz própria, e pelos poderes emergentes, estes estaduais ou erráticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi muito rápida a mudança de conjuntura, que viu substituir um inimigo assumido por uma inesperada multiplicação de ameaças atípicas que vão do crime organizado ao terrorismo global, que sofreu a desterritorialização da segurança, que perdeu apoio em modelos seculares de comportamento internacional porque se multiplicaram os Estados contestatários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo que foi chamado «um arco de crises» teve assim um efeito preocupante nas fileiras aliadas, que perderam a segurança de conhecerem o eventual campo de batalha, porque os conflitos emergiram em distâncias não racionalizáveis pela experiência vivida, porque as leituras foram transferidas da perspectiva comum para as como que recuperadas perspectivas desencontradas dos interesses nacionais sustentadas por soberanias clássicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inquietante desenrolar deste processo de resposta, sem ordem comum de batalha, parece finalmente encaminhar no sentido de restituir à serenidade lúcida a função de reconhecer a consistência do eixo da roda, que acompanha a roda mas não anda, e que exige o reordenamento das forças alinhadas pelo interesse comum que permanece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As intervenções dos eleitorados, que usam a arma do voto para corrigirem os governos, não estão a pedir a deposição das armas porque sofreram demonstração suficiente das ameaças, estão a exigir legitimidade de exercício, sentido de responsabilidade, autenticidade de comportamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Unilateralismos, arrogâncias, manipulações da opinião pública, são fragilidades. E são fragilidades que por reflexividade tornam difícil a percepção do que é permanente, comum e irrenunciável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de os Estados Unidos da América julgarem suficiente a aliança de emergência com um restrito número de países, ou de gastarem energias a identificar uma velha Europa, mas sim de todos regressarem à clareza de entenderam que a mudança, de um inimigo visível para um inimigo em rede, não alterou o facto de que é um património comum de valores e de interesses ocidentais que exigem a permanência da solidariedade passada, o que não impede a urgência de reformular a ordem de batalha. Designadamente porque se a origem de duas guerras mundiais esteve no interior da Europa, agora trata-se de ameaças exteriores que se dirigem contra interesses comuns localizados em qualquer lugar do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A urgência da renovação do diálogo estratégico vem dessa reformulação da polemologia, e não sobretudo de incompatibilidades de interesses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto é a evidência da necessidade de regressar a um compromisso sólido com o multilateralismo, à consulta permanente, à partilha de informações, que poderá e deverá restituir à NATO o vigor e clareza de propósitos indispensáveis para a defesa do interesse comum dos ocidentais, e para ter à disposição da ONU, que é inadiável reformar, um instrumento confiável ao serviço da restauração de uma ordem mundial toleravelmente pacífica».&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-108126641489440284?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108126641489440284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108126641489440284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_04_01_archive.html#108126641489440284' title='SOLIDARIEDADE ATLÂNTICA'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-108065985530065402</id><published>2004-03-30T16:15:00.000+01:00</published><updated>2004-03-30T16:21:11.200+01:00</updated><title type='text'>SEM FRONTEIRAS A EUROPA E O TERRORISMO</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Teresa de Sousa&lt;/strong&gt;, n'&lt;strong&gt;&lt;a href="http://jornal.publico.pt/2004/03/30/EspacoPublico/O03.html"&gt;O Público&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«1. Aparentemente, tudo pareceu correr sobre rodas na cimeira europeia de Bruxelas da semana passada. Os Vinte Cinco mantiveram um debate amigável sobre os três principais pontos da agenda. Adoptaram sem problema as conclusões preparadas pela presidência irlandesa sobre a Constituição, o combate ao terrorismo e as reformas económicas e sociais. A retórica foi a adequada ao pós-11 de Março e ao sentimento de solidariedade desencadeado pelos atentados terroristas de Madrid. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tranquilidade e a harmonia dos trabalhos e das decisões não disfarçam, no entanto, o facto da Europa continuar politicamente dividida e desarmada face ao novo terrorismo e estrategicamente impotente perante um mundo virado de pernas para o ar desde o fim da guerra fria e desde o 11 de Setembro. A cimeira não contribuiu para clarificar as zonas de indefinição e de divergência sobre o significado das novas ameaças à segurança mundial. Não se traduziu num esforço de maior consenso e maior eficácia em torno das várias "frentes" (políticas, diplomáticas, militares e de segurança) em que a Europa deveria agir a nível internacional. Não deu um passo para superar o maior de todos os factores de divisão europeia, a relação com a América, agora cristalizada em torno da questão do Iraque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada em Bruxelas permitiu concluir que aquilo que os líderes europeus não aprenderam com o 11 de Setembro estão agora preparados para aprender com o 11 de Março. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Os atentados de Madrid poderiam ter sido, precisamente, uma oportunidade para reabrir um debate mais sério sobre a situação internacional e a necessidade de enfrentar o terrorismo global numa perspectiva global. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Bruxelas, os líderes europeus ficaram-se por muito menos que isso. Adoptaram (mais) um conjunto de medidas (algumas novas, outras já velhas) de natureza interna para reforçar os meios de coordenação policial. Criaram a nova figura do "Sr. Contraterrorismo" (alegadamente, para tentar coordenar os serviços de informações), cuja utilidade parece ser, por enquanto, sobretudo a de provar à opinião pública que estão a fazer alguma coisa. Anteciparam a "cláusula de solidariedade" já prevista no texto da futura Constituição europeia que delimita aos atentados terroristas o espírito do artº 5º do Tratado de Washington. É positivo mas é o mínimo que poderia ser feito perante as bombas de Madrid. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos mediáticos, conseguiram certamente transmitir a imagem de que estão unidos e solidários no combate ao terrorismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos políticos, é, porventura, mais importante o que estas novas medidas de última hora podem esconder do que aquilo que realmente significam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que elas escondem é, essencialmente, o facto da União não ter levado suficientemente a sério o 11 de Setembro. De não ter lido com a devida atenção a multiplicação de atentados que, depois do 11 de Setembro, causaram o terror do outro lado do mundo, na Indonésia, ou bem mais próximo das fronteiras da Europa, em Marrocos, na Turquia, na Tunísia ou na Arábia Saudita. De se ter embrenhado numa "guerra" interna sobre a sua relação transatlântica que a paralisou e a enfraqueceu e que a continua a paralisar e a enfraquecer, por mais grandiloquentes que sejam os discursos dos seus líderes sobre a necessidade de uma "Europa forte" - aliado influente ou rival influente da hiperpotência americana, pouco importa, porque, por enquanto, não consegue ser nem uma coisa nem outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ilusão de que a mudança política em Madrid e o novo alinhamento da Espanha pelo eixo franco-alemão ajudará a resolver as divisões da Europa sobre a sua relação com a América, não passa disso mesmo, de uma ilusão. Alimentada em Paris por um Presidente e por uma cultura política que não conseguem deixar de ver a Europa como um instrumento ao serviço da "grandeza" da França. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Iraque, com o seu rosário de problemas mas também de oportunidades, não desaparecerá graças à simples entrada em cena do futuro primeiro-ministro de Espanha. A Al Qaeda não mudará a sua natureza por causa disso. O conflito do Médio Oriente, sobre o qual a Europa tem apenas o poder de aprovar declarações, justas, é certo, bem intencionadas, sem dúvida, mas de escassa relevância prática, não se resolverá por obra e graça de uma nova relação de forças interna na União Europeia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, a prova irrefutável da incapacidade europeia de retirar do 11 de Setembro as conclusões necessárias, referiu-a há dias, prosaicamente, o director da Fundação para a Investigação Estratégica François Heisbourg ("Le Monde" de 27 de Março, num diálogo sobre o tema com o antigo ministro socialista dos Negócios Estrangeiros, Hubert Védrine) ao afirmar: "quando olhamos para a evolução orçamental e organizativa, verifica-se que muito pouca coisa mudou a nível europeu [desde o 11 de Setembro]". Como se o "hiperterrorismo" não fosse outra coisa, muito diferente do terrorismo clássico nem exigisse medidas de outra amplitude e de outra natureza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Em suma, a Europa continua a não ser capaz de fazer mais do que olhar para o terrorismo com os olhos do passado (encarando-o essencialmente como um fenómeno de natureza circunscrita e incluindo-o na categoria de crime organizado) e com os instrumentos do passado. Repetindo o mesmo erro, dramático, que cometeu quando a crise dos Balcãs lhe entrou pela porta dentro: recusando-se a olhar para a nova realidade, acreditando que o "status quo" era, então, e continua a ser hoje uma opção viável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última cimeira de Bruxelas, Jacques Chirac resolveu brindar os seus pares com uma longa prelecção sobre o terrorismo e a pobreza. Talvez seja esta a imagem mais perfeita da Europa que não queremos mas a que parecemos irremediavelmente condenados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menos que se tratasse de uma autocrítica (e sabe-se que esta não é uma vocação do Presidente francês), apetece perguntar: a qual pobreza se referia Chirac? A "pobreza" dos bairros periféricos de Paris, onde uma nova geração de filhos de imigrantes magrebinos alimenta a revolta contra a sua marginalidade social e cultural? A pobreza do mundo em vias de desenvolvimento, alimentada pela mais egoísta e perversa de todas as políticas europeias (a PAC, da qual a França se julga proprietária)? A pobreza que grassa nos países africanos de colonização francesa, britânica ou portuguesa, eternizada por governos ditatoriais e corruptos que as antigas potências coloniais gostam de tratar como parceiros privilegiados e recomendáveis? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco importa. O que importa é que as palavras de Chirac sintetizam de uma forma tragicamente exemplar a dimensão da impotência e da inconsequência europeia face à nova ameaça do megaterrorismo global. Para além de todas as boas intenções reveladas pelos líderes europeus em Bruxelas, é esta a triste e inescapável realidade».&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-108065985530065402?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108065985530065402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108065985530065402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108065985530065402' title='SEM FRONTEIRAS A EUROPA E O TERRORISMO'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-108065936095964186</id><published>2004-03-30T16:07:00.000+01:00</published><updated>2004-03-30T16:12:56.920+01:00</updated><title type='text'>O OCASO DE CHIRAC</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;José Manuel Fernandes&lt;/strong&gt;, n'&lt;strong&gt;&lt;a href="http://jornal.publico.pt/2004/03/30/Destaque/XEDIT.html"&gt;O Público&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Aqui há uns bons anos, quando Jacques Chirac interrompeu inopinadamente o normal curso de uma legislatura para convocar eleições antecipadas, conseguindo com isso que o seu partido perdesse a maioria de que dispunha e entregando a chefia do Governo ao socialista Lionel Jospin, a revista liberal inglesa «The Economist», apesar de ser visceralmente contra o programa da «esquerda plural», escreveu que os males maiores da França não viriam do seu novo primeiro-ministro mas de estar condenada a viver ainda muitos anos com Chirac. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha razão. Na história da V República Chirac ficará por certo como um dos presidentes mais desastrados e mais prejudiciais, não só para os interesses da França como para os interesses da construção europeia. A sua longa carreira política mostra que é um homem de imensa habilidade e nenhuns princípios. Pior: que encarna alguns dos piores hábitos do nepotismo à francesa, para não falar da mais crua corrupção. Olhando para o país e para o Mundo do alto do Palácio do Eliseu, como um "roi soleil» retardado e, sobretudo, enganado no tempo e no lugar, Chirac tem sido um Presidente errático nas políticas, incoerente no discurso, capaz da mais baixa política ou da arrogância mais brutal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo os eleitores franceses castigaram-no, e pesadamente. De nada lhe valeu ter sido reeleito há menos de dois anos com mais de 80 por cento do votos: domingo percebeu como grande parte desses votos não eram para si, antes contra Le Pen. De nada lhe valeu a cruzada soberanista que, há pouco mais de um ano, fez dele um dos principais responsáveis pela fractura transatlântica: a opinião pública profundamente anti-americana que então o aplaudia deixou-o agora a esbracejar à beira do precipício. De nada lhe valeu ter imposto à França uma lamentável lei a proibir os véus islâmicos nas escolas: a extrema-direita xenófoba subiu de novo e a esquerda laica humilhou-o. Por fim, de nada lhe valeu ir buscar à província um político que fazia alarde do seu provincianismo, o primeiro-ministro Raffarin: a França profunda, a França "d'en bas», foi também submersa pela onda rosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a dimensão da sua derrota - uma derrota pessoal, e não a derrota do seu primeiro-ministro - contribuíram muitos factores, e se alguns deles representam uma saudável reacção dos eleitores ao insuportável estilo de governar do "chiraquismo", se houve também muito voto de protesto (os conselhos regionais têm pouco poder e têm sido maioritariamente entregues aos partidos que estão na oposição no momento da votação), há contudo uma componente típica dos arcaísmos franceses na forma como os eleitores votaram: eles votaram também contra as reformas. Todas as reformas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, num país onde existe um consenso geral de que é necessário proceder a amplas reformas em sectores tão sensíveis como o da segurança social, à privatização de mega-empresas "nacionais" ou à abertura dos mercados ainda dominados pelos quase monopólios estatais à concorrência, esse consenso quebra-se no momento em que qualquer dessas reformas afecta cidadão a cidadão: nessa altura passa-se a ser contra. Por isso é bem provável que as reformas que lentamente se iniciavam passem do devagar-devagarinho ao parado. O que é preciso é não incomodar ninguém - algo que Chirac fará, se sentir que essa é a sua tábua de salvação. Está-lhe na massa do sangue».&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-108065936095964186?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108065936095964186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108065936095964186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108065936095964186' title='O OCASO DE CHIRAC'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-108048796612360320</id><published>2004-03-28T16:30:00.000+01:00</published><updated>2004-03-28T16:37:01.623+01:00</updated><title type='text'>A BALANÇA DA EUROPA E A DEMOCRACIA</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Guilherme d'Oliveira Martins&lt;/strong&gt;, n'&lt;a href="http://jornal.publico.pt/2004/03/28/EspacoPublico/O06.html"&gt;O Público&lt;/a&gt; de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«O 11 de Março de Madrid foi o 11 de Setembro europeu. A única resposta que se exige perante um tal massacre de inocentes passa pela democracia e por mais Europa política. "Se acreditamos que a Europa existe, devemos procurar algo mais do que o habitual comunicado analgésico" - disse, a quente, Timothy Garton Ash. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muitos erros, não podemos continuar indiferentes. Temos de ir às raízes da violência. A sua banalização não pode continuar. Devemos lançar, com determinação, as bases de uma União Europeia ciente das suas responsabilidades - não dando espaço ao terrorismo, qualquer que ele seja, de onde quer que ele venha. Precisamos, rapidamente e com passos seguros, de um tratado constitucional europeu que facilite a defesa dos interesses e valores comuns europeus. Só assim se reforçará estavelmente a frente democrática contra a violência e uma autêntica parceria euro-atlântica, em que todos se sintam iguais e responsáveis pelos destinos comuns. E os sinais dados pelos socialistas espanhóis em matéria europeia são positivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece haver vontade no sentido de se ultrapassar o impasse criado pela presidência italiana, situação que o governo irlandês tem tratado com realismo, serenidade e sabedoria. Poderemos corrigir a perda de votos da Espanha e da Polónia no Parlamento Europeu operada em Nice? Poderemos encontrar um novo critério para a dupla maioria, que poderá ser 55% na população e 55% no número de Estados? Poderemos tornar a Comissão mais pequena e eficaz, sem o sentimento de perda para muitos Estados-membros da União? Poderemos ser mais audaciosos no Conselho legislativo e na articulação efectiva entre Comissão e Conselho Europeu? Sem quaisquer optimismos despropositados, mas com sentido prático, do que se trata é de avançar com o tratado constitucional, para evitar o progresso do directório, por míngua de método comunitário... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perspectiva diplomática e inter-governamental só favorece os países grandes. Marcar passo, insistir nas minorias de bloqueio, confundir igualdade entre os Estados e unanimidade como regra de decisão, privilegiar os egoísmos dos Estados, resistir ao governo económico da União e à coordenação de políticas - tudo isso apenas significará adiar um projecto de paz e de segurança para a Europa, impedir que o velho continente tenha voz activa na cena internacional e substituir a coesão social, económica e territorial pela fragmentação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dir-se-á que a história da Europa foi sempre feita de conflitos e de ambições insanáveis - e que haverá sempre uma tendência para o directório dos grandes. Mas os factos exigem o fim dessa fatalidade. Nos últimos dias, além da ameaça terrorista, presenciámos o recrudescimento da violência nos Balcãs e os desenvolvimentos absurdos da crise do Médio Oriente. Tivemos, de novo, a demonstração da necessidade de mais Europa política. Por exemplo, o grupo a que presido no Conselho da Europa no âmbito do património cultural viu-se confrontado com a irremediável destruição de monumentos históricos no Kosovo - e não esqueço a angústia da representante da Bósnia-Herzegovina a solicitar uma atitude comum contra a escalada da violência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos de abandonar a atitude cínica dos que consideram ser inelutável a divisão europeia e o nosso atraso no velho continente, não havendo solução comum em nome da paz, da democracia e do desenvolvimento. A.J.P. Taylor afirmou que a história europeia foi, ao longo dos séculos, a ilustração do "estado de natureza" de Hobbes. Tudo dependeu dos jogos de guerra entre os Grandes Poderes do continente. Daí a necessidade de definir uma ordem e um equilíbrio - a que se chamou Balança da Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por uma questão de sobrevivência, os europeus precisam, cada vez mais, uns dos outros. Até porque já sabem quais os efeitos das divisões e das desinteligências. A democracia europeia precisa de um sistema de "checks and balances". Não podemos perder tempo. Sem uma União eficaz ficaremos desarmados perante a violência e o terrorismo. Os sinais inquietantes devem ser ultrapassados. Como afirmou Jacques Julliard, estamos perante duas soluções possíveis: ou um governo europeu com coordenação de políticas - desde a política externa e defesa à economia - ou um directório. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma União Social e Política tem de completar a União Económica e Monetária. Precisamos de lançar o debate europeu e de ser exigentes quanto à necessidade de mobilizar cidadãos e comunidades em torno dos interesses comuns e do que a União precisa... É a democracia europeia que está em causa, de modo a aproximar-nos de um governo europeu, capaz de gerir os interesses comuns e de aprofundar a partilha de responsabilidades. Só assim estaremos à altura de contrariar o perigo dos directórios e de uma Europa condicionada pela lógica inter-governamental.»&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-108048796612360320?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108048796612360320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108048796612360320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108048796612360320' title='A BALANÇA DA EUROPA E A DEMOCRACIA'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-108040985814642097</id><published>2004-03-27T17:49:00.000Z</published><updated>2004-03-27T17:54:30.326Z</updated><title type='text'>O ÚLTIMO RISO DO MOURO</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Fouad Ajami&lt;/strong&gt;, n'&lt;strong&gt;&lt;a href="http://jornal.publico.pt/2004/03/27/Mundo/I40.html"&gt;O Público&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Na lenda da Espanha mourisca, o último rei muçulmano de Granada, Boadbil, entregou as chaves da cidade em 2 de Janeiro de 1492, e numa das suas colinas parou para um último olhar ao seu domínio perdido. O local passaria assim a ser conhecido como El Ultimo Suspiro del Moro. Diz-se que a mãe de Boabdil o amaldiçoou e lhe disse para "chorar como uma mulher pela terra que não podia defender com um homem". Um poeta árabe da nossa época deu voz a um lamento histórico quando escreveu que ao percorrer as ruas de Granada meteu as mãos nos bolsos à procura das chaves das suas casas. Al Andaluz - a Andaluzia - tornar-se-ia uma profunda ferida, uma reminescência de domínios ganhos pelo Islão e depois perdidos. Não admira que cronistas muçulmanos tenham acrescentado "Que Allah a devolva ao Islão", ao contarem e recontarem o destino de Granada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balcãs àparte, o moderno Islão desenvolver-se-ia como uma religião afro-asiática. É verdade que os otomanos reivindicariam o Mediterrâneo Oriental. Mas o seu desafio foi neutralizado. A Turquia sucumbiu a uma pretensão europeia, mas nunca seria europeia. A vitória da Europa sobre o Islão pareceu definitiva. Mesmo os muçulmanos dos Balcãs tocados pela cultura otomana se tornaram uma comunidade marcada, deixada para trás pela retirada otomana da Europa como "algas em terra seca". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a vingança de Boabdil chegou. Caiu sobre a Europa. A demografia - o envelhecimento da Europa por um lado e por outro uma imensidão de gente no Médio Oriente e no Norte de África - fez o trabalho de Boabdil. Desencadeada pelo crescimento económico dos anos 60, que criou a necessidade de trabalhadores estrangeiros, uma migração muçulmana para a Europa começou. Hoje, 15 milhões de muçulmanos residem na União Europeia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros migrantes estavam ansiosos de chegar a este novo mundo. Viveram com o mito inicial da migração de que a sua estada seria temporária. Mas, para a maioria esmagadora, Argel e Casablanca, Beirute e a Anatólia tornaram-se lugares irrecuperáveis. Com o tempo, haveria assaassínio e agitação no Líbano e no Irão, luta sectária na Síria, e uma longa era de carnificina na Argélia, mesmo em frente de Marselha. A destituição económica espalharia a miséria pelas terras de onde vieram. As taxas de nascimento tiveram o seu efeito demolidor: tornou-se impossível transmitir aos novos cultura e civilização e o velho mundo familiar. A migração tornou-se a única válvula de segurança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 80, terríveis guerras civis foram travadas em países árabes e islâmicos - com os privilégios de um lado, a cólera militante do outro. Os déspotas e a casta militar na Argélia, na Tunísia, na Síria e no Egipto ganharam essa luta. Os seus adversários derrotados fizeram-se ao caminho: a partir de Hamburgo e de Londres e de Copenhaga, a batalha começou. Para ajustar contas com os governantes dos seus países, o trabalho de subversão seria feito a partir da Europa. Fraternidades Muçulmanas alastraram por todo o continente. Nos novos ambientes havia subsídios de segurança social, dinheiro, protecções constitucionais e regras de asilo para ajudar a travar a velha luta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Todo o mundo árabe era perigoso para mim. Fui para Londres". As palavras são de um Islamista egípcio, Yasser Sirri. Em Londres, Sirri dirige um centro de observação islâmico e agita contra o despotismo de Hosni Mubarak. Mas Sirri, um homem de 40 anos, é procurado no seu país. Foi três vezes condenado à revelia: uma a 25 anos de trabalhos forçados por fazer entrar no Egipto terroristas armados; a segunda a 15 anos por ajudar dissidentes islâmicos; e a terceira à morte por conspirar para assassinar um primeiro-ministro. Sirri fugiu do Egipto para o Iémen. Mas teve ali problemas, pelo que foi para o Sudão, mas não foi melhor. Apareceu em Londres: aí, teria liberdades, e as protecções de uma cultura liberal. Não haveria extradição para ele, nenhum regresso à justiça sumária do Cairo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sirri não esteve a trabalhar no vazio. A geografia do Islão - e da imaginação islâmica - mudou nos últimos anos. A fé tornou-se portátil. os muçulmanos que deixaram os seus países trouxeram o Islão com eles. Os homens vieram para as terrás dos infiéis, mas uma nova geração de islamitas radicalizou ali a fé, no meio dos kafir (os infiéis). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As novas terras não mereciam grande lealdade e os radicais político-religiosos saborearam o espaço atribuído pela sociedade civil ocidental. Mas ressentiram-se da lógica da assimilação. Negaram às suas irmãs e filhas o direito de se misturarem com "estranhos". Pensar-se-ia que o pluralismo e tumulto deste mundo europeu aberto criaria uma versão da fé apropriada. Mas aconteceu precisamente o contrário. Nas terras da descrença, a fé agudizou-se para o combate. Sabemos que a vida em Hamburgo - e a espécie de Islão que Hamburgo tornou possível - foi decisiva na evolução de Mohamed Atta, que dirigiu os pilotos da morte em 11 de Setembro. Foi em Hamburgo que concebeu o ódio à modernidade, às mulheres e ao "McEgipto" de Mubarak. E foi em Hamburgo, também, que um jovem de uma família secular do Líbano se submeteu à transformação que o levaria de de uma escola preparatória católica de Beirute para os controlos de um avião no 11 de Setembro, e ao seu fim trágico perto dos campos de Shanksville, na Pensilvânia. Na sua deterioração económica, o mundo árabe está sem cidades onde os jovens muçulmanos de diferentes terras se possam encontrar. Uma função que Beirute em tempos desempenhou para uma elite mais velha. As cidades europeias apresentam agora essa espécie de oportunidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A televisão por satélite tem sido crucial para a construção de um novo radicalismo: os pregadores vão para o ar e chegam aos muçulmanos em toda a parte. A partir da segurança de cidades ocidentais, aconselham a beligerância. Proibem que se aperte a mão das examinadoras nas universidades. Avisam contra as saudações aos "infiéis" nos seus feriados religiosos, ou contra o serviço nos exércitos e polícias das novas terras. "Um muçulmano não tem nacionalidade excepto a sua fé", escreveu um padrinho intelectual do islamismo radical, o egípcio Sayyid Qutb, que foi executado por Nasser em 1966. Numa visita à Arábia Saudita em 2002, escutei um ouvinte telefonar de Estocolmo para um pregador muito popular: "Podemos aceitar as nacionalidades deles, mas pertencemos à nossa religião". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fiéis do islamismo radical não pedem desculpas. O que é o laicismo para os muçulmanos na França e os seus líderes militantes? É apenas o código de uma sociedade depravada que deseja impor aos filhos do Islão - em particular às suas mulheres jovens - as formas de uma cultura infiel. Que lealdade é que se deve à França? A cólera da juventude muçulmana da França nos subúrbios é vista como uma vingança sobre a França devido às suas guerras coloniais. A França colonizou a Argélia na década de 1830; os argelinos, juntamente com os tunisinos e marroquinos, devolvem agora o favor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A França concede aos seus subúrbios muçulmanos tudo e nada. Deixa-os entregues a si próprios, e concede-lhes poder sobre as suas decisões de política externa quanto a assuntos islâmicos e do Médio Oriente; mas não lhes dá espaço quanto ao essencial da sua vida. Os problemas chegaram inclusive à plácida Bélgica. Em Antuérpia, Dyab Abu Jahjah, um jovem libanês, de apenas 32 anos, decidiu dar poder aos muçulmanos do país. A assimilação, diz, é uma "violação cultural". Veio para a Bélgica em 1991, e inventou uma história sobre perseguição; foi um "baixo truque político", diz, e está na natureza das coisas. A Constituição da Bélgica reconhece o holandês, o francês e o alemão como línguas oficiais. Abu Jahjah insiste em que o árabe seja acrescentado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os líderes da Europa conhecem os dilemas do continente. Em formas tanto intencionais com subliminares, a fuga para o anti-americanismo é uma tentativa de falsa associação aos povos do Islão. Dêem aos árabes - e às comunidades muçulmanas na Europa - anti-americanismo, dêem-lhes uma identificação com os palestinianos, e sereis poupados à sua cólera. Tocai os tambores da oposição à guerra da América no Iraque e a fúria do islamismo radical poupa-vos. Isto é visto como uma forma de evitar os problemas. Mas não tem saída. É verdade que a Espanha apoiou a campanha americana no Iraque, mas por outro lado a identificação da Espanha com os objectivos árabes tem uma longa história. De todos os maiores países da União Europeia, a Espanha tem sido o mais simpático com a causa palestiniana. Foi só em 1986 que a Espanha reconheceu Israel e estabeleceu com ele relações diplomáticas. Com a única excepção da Grécia, a Espanha demonstrou as mais profundas reservas em relação a Israel. Mas esta história não a protegeu dos bombistas do 11 de Março. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja qual for a arquitectura política que a Europa procura, terá de ser construída em proximidade com o Outro Mundo, frente ao Estreito de Gibraltar e numa fase de crise terminal. Não há perspectiva de os governantes de terras árabes oferecerem ao seu povo um contrato social decente, ou as oportunidades da liberdade. É um triste facto que os povos árabes já não fazem reivindicações aos seus chefes. Em vez disso, terroristas como os de Madrid agora procuram satisfação quase só em terra estrangeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode fazer agitação contra Mubarak no Cairo, mas pode-se fazê-lo a partir da segurança de Finsbury Park, em Londres. A ferocidade do debate no mundo árabe sobre a decisão da França em limitar o véu islâmico nas escolas públicas é uma medida desta raiva deslocada. A Espanha poderá atribuir a crueldade que a visitou à sua associação com a expedição da América ao Iraque. Mas a verdade é mais sombria. Jacques Chirac poderá acreditar que poupou à França o terror da Espanha denunciando a guerra no Iraque. Mas está enganado. Os islamistas não fazem distinções claras quanto às terras infiéis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Europa é palco de uma guerra entre a ordem e os seus inimigos, alimentada pela demografia: 40 por cento do mundo árabe tem menos de 14 anos. Os demógrafos dizem-nos que a taxa de fertilidade para renovação de populações é de 2,1 crianças por mulher. A Europa está muito abaixo disso; na Alemanha é 1,3, na Itália 1,2, na Espanha 1,1, na França 1,7. Os níveis de fertilidade no mundo islâmico são muito diferentes: 3,2 na Argélia, 3,4 no Egipto e Marrocos, 5,2 no Iraque e 6,1 na Arábia Saudita. Podem dizer aos vizinhos do outro lado do Estreito (e dentro das portas da Europa) que compartilhais a sua rejeição da Pax Americana. Mas a deusa da vingança está perto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há cinco séculos, os castelhanos tomaram Granada a Boabdil. Eram uma geração de pastores empurrados por uma lógica malthusiana, seguindo para Sul - e para o Novo Mundo, a partir de Sevilha - para responder às necessidades de Castela. Hoje há grande confusão nas terras islâmicas, e uma crise malthusiana. Se ao menos fosse verdade que só os amigos dos americanos são os visados na Europa. O Novo Mundo é um demónio deste islamismo, é verdade. Mas a velha fronteira entre a Europa e o Islão tem as suas próprias fúrias».&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-108040985814642097?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108040985814642097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108040985814642097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108040985814642097' title='O ÚLTIMO RISO DO MOURO'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-108017322943621286</id><published>2004-03-24T12:05:00.000Z</published><updated>2004-03-25T00:15:19.123Z</updated><title type='text'>O INIMIGO EM CASA</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Miguel Poiares Maduro&lt;/strong&gt;, no &lt;strong&gt;&lt;a href="http://dn.sapo.pt/cronica/mostra_cronica.asp?codCronica=6959&amp;codEdicao=1038"&gt;Diário de Notícias &lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com o ataque terrorista de Madrid diz-se que a Europa descobriu o inimigo em casa. A ironia é que esta frase é verdadeira num sentido ainda mais profundo do que se pode imaginar. Este terrorismo traz consigo os fantasmas da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, este terrorismo combate uma ideia europeia (a modernidade e a universalidade que lhe é implícita). Ao atacar a Europa, este terrorismo ataca a origem da própria modernidade e do ideal da razão que lhe está associado. O paradoxo é que este ataque à modernidade assenta numa ideia também europeia: a de que o ideal da razão e o seu carácter universal se opõe à identidade de um povo ou de uma comunidade assente em valores que não dependem da razão e a esta se devem impor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta ideia que encontramos em diversas tradições filosóficas europeias (de Platão aos românticos) foi a base do nacional-socialismo e não é assim de estranhar que, como li recentemente, alguns radicais islâmicos tenham sido leitores apaixonados da literatura da época. Não pretendo fazer aqui um juízo de intenções sobre certas filosofias europeias e muito menos culpabilizar esses filósofos por certas apropriações das suas ideias. Pretendo apenas salientar a importância da oposição entre identidade e razão na compreensão do terrorismo actual e alertar para as consequências que daí decorrem e para similitudes com um combate que a Europa já travou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que explica este terrorismo indiscriminado e a nossa incapacidade de o tornar inteligível (e assim o poder melhor combater) é que ele se baseia numa identidade orgânica. Uma identidade que não resulta do exercício da razão mas que a ela se impõe como verdade revelada. Ao contrário, a identidade ocidental dominante é crítica (discute-se quanto é produto do contexto social e quanto é produto do exercício da razão mas é relativamente consensual que é uma identidade reflexiva, fruto de um discurso livre na procura da verdade). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante não confundir isto com uma crítica à religião. O terrorismo islâmico não tem nada que ver com a religião muçulmana mas sim com o aproveitamento identitário que dela é feito. É sim uma crítica a uma concepção da religião (qualquer que seja) em que o centro deixe de ser o homem e a sua liberdade e incerteza na procura da verdade divina (para aqueles que nela crêem) para passar ser o homem concebido como mero instrumento de uma verdade indiscutível que lhe é fornecida e não por ele descoberta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É este tipo de identidade que traz em si a desumanização inerente ao terrorismo. Para os terroristas as vítimas não são seus semelhantes mas apenas obstáculos a afirmação pura do seu ideal. Este prevalece sobre tudo, incluindo a própria humanidade dos terroristas. Daí que o sacrifício pela causa seja também visto como natural (a pureza do ideal sobrepõe-se à humanidade das vítimas e terroristas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À luz desta construção identitária as causas deste terrorismo são meramente instrumentais a uma concepção da vida que é independente dessas causas. É por isso também que estes terroristas não pretendem de nós algo que nos seja possível dar-lhes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pretendem de nós é o nosso próprio desaparecimento ou a subjugação à sua verdade. Tudo o resto (a agenda política) é apenas um instrumento de mobilização popular de uma causa assente numa ideia de vida e na sua oposição à razão. Claro que seria importante resolver o conflito israelo-palestino ou diminuir as disparidades económicas nos países árabes. Mas não nos enganemos, tal não iria eliminar este terrorismo. Devemos prosseguir esses objectivos porque eles são importantes em si mesmos (e seria outra forma de conceder a vitória aos terroristas tratá-los como importantes apenas porque instrumentais à nossa segurança). Mas para além de difíceis, a sua obtenção não terminará com este terrorismo. Poderia apenas diminuir a sua base de apoio ou a tolerância popular com que é encarado nalguns países árabes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo se diga quanto à captura de Ben Laden. Este terrorismo não assenta num homem ou numa organização mas sim numa ideia. Alguém definiu a Al-Qaeda como um sistema de franchising em que pequenos grupos autónomos agem independentemente coordenados apenas por uma mesma ideologia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É este carácter identitário orgânico que torna tão difícil combater este terrorismo. Não se pode combater com a razão algo que assenta na oposição à própria ideia de discurso racional. O que determina este terrorismo não são objectivos políticos ou económicos mas sim a imposição de um identidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma identidade não negociável e que exclui qualquer outra identidade. Neste contexto, sabemos pouco quanto à forma como podemos combater este terrorismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sabemos bem o que devemos proteger enquanto o combatemos: a nossa humanidade e a humanidade do outro.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-108017322943621286?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108017322943621286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108017322943621286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108017322943621286' title='O INIMIGO EM CASA'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-108005493690691593</id><published>2004-03-23T15:14:00.000Z</published><updated>2004-03-23T15:20:33.513Z</updated><title type='text'>O PERIGO ENVOLVENTE</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Adriano Moreira&lt;/strong&gt;, no &lt;strong&gt;&lt;a href="http://dn.sapo.pt/cronica/mostra_cronica.asp?codCronica=6951&amp;codEdicao=1037"&gt;Diário de Notícias &lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Os oito milhões de pessoas que ocuparam as ruas e praças das cidades de Espanha, firmes na decisão de enfrentar o terrorismo, e severas no uso do voto para corrigir o comportamento do próprio Governo, eram, no conceito dos responsáveis pela agressão sofrida, os cruzados tão diabolizados pelos muçulmanos, como estes o foram pelos cristãos vítimas das invasões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foram apenas as eleições espanholas que ficaram marcadas pelo devastador ataque, também as eleições na Rússia, igualmente realizadas no domingo, tiveram o condicionamento do ataque ao metro de Moscovo, embora a dimensão humana do desastre fosse menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando por igual estas manifestações de um terrorismo sem fronteiras, que sacrifica os inocentes para alcançar os seus obscuros resultados estratégicos, isso não impede ter de reconhecer-se que a relação de proximidade é determinante do tecido de solidariedades. E por isso os meios de comunicação tornaram evidente, mesmo para os mais cépticos, que todos os europeus se assumiram nesse dia como espanhóis, para além das diferenças de interesses circunstanciais e de perspectivas não coincidentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na teoria dos defeitos das virtudes, as animosidades históricas europeias sempre foram moderadas pela evidência de uma ameaça comum, e, desaparecido o muro de Berlim, esse elemento aglutinador emergiu brutal e sem vislumbre de complacência. É talvez útil insistir em que o mais urgente é aprender com os erros cometidos para reorganizar a defesa necessária, e que seria completamente despropositado ler o exercício punitivo do voto espanhol como o início de uma querela de culpas e de recriminações entre forças partidárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise de credibilidade dos Governos da coligação militar eventual foi instalada em mais de um país da área que o terrorismo definiu como inimiga, o perigo instalado é comum aos povos cujas forças militares participam na intervenção, e aos que são definidos como ocidentais pela cultura, e cruzados pelo revisionismo histórico. As recriminações serão tão prejudiciais à defesa comum, como o descaso apoiado na convicção de que apenas os envolvidos na intervenção no Iraque devem esperar as terríveis represálias. O facto do envolvimento espanhol na intervenção inspira preocupação da nossa sociedade civil no sentido de saber se Portugal também estará na mira da uma agressão do mesmo tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é possível responder a uma questão desta natureza, mas parece inevitável assumir, e fazer o eleitorado entender, que todos os países ocidentais estão envolvidos pelo perigo agudo, que nenhum pode considerar-se isento, que dessa qualidade e não da intervenção, é que resulta a exposição. Por isso tem completa justificação e urgência que a Comissão Europeia se decida a coordenar a atitude conjunta dos europeus para enfrentar a nova ameaça, e que se desenvolva uma política de recuperação da confiança atlântica que também no passado esteve dependente da ameaça abrangente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As deficiências a eliminar na articulação entre os serviços de informação de todo o espaço afectado, a necessidade comum de não consentir na violação do direito em favor de excessos securitários, a clara percepção de que estão em causa valores civilizacionais, também são referências que exigem o esforço doméstico de todos os Estados, sem omitir a ponderação de nenhuma debilidade».&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-108005493690691593?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108005493690691593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108005493690691593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108005493690691593' title='O PERIGO ENVOLVENTE'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-107980396272413203</id><published>2004-03-20T17:30:00.000Z</published><updated>2004-03-20T17:36:20.403Z</updated><title type='text'>BEM-VINDOS A BORDO DO "TITANIC"</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Timothy Garton Ash&lt;/strong&gt;, n' &lt;strong&gt;&lt;a href="http://jornal.publico.pt/2004/03/20/EspacoPublico/O03.html"&gt;O Público &lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Então, quando Londres sofrer um atentado da Al-Qaeda tencionam culpar Tony Blair? Temos de pensar melhor do que isto, se quisermos continuar a ser livres num mundo perigoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exactamente uma semana depois das bombas de Madrid e exactamente um ano depois de Blair ter feito nos Comuns a defesa apaixonada da participação na guerra liderada pela América no Iraque, temos de reconhecer que há duas coisas que podem ser, ambas, verdadeiras: 1) Blair não tinha razão em nos arrastar para a guerra no Iraque, que não nos ajudou a derrotar a Al-Qaeda; Blair tem razão quando nos avisa de que todos estamos ameaçados por um terrorismo islâmico que é anterior à guerra no Iraque, que nos visaria da mesma maneira, ainda que não estivéssemos no Iraque, e que se sentirá encorajado pela prometida retirada da Espanha do Iraque. E os apaniguados da Al-Qaeda não se esquecerão de registar o facto como um triunfo do seu ataque a Madrid. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Grã-Bretanha e todos os outros países europeus, bem como os EUA, estão a debater-se na confusão entre estas duas coisas. Foi uma semana terrível para o que sobra do Ocidente. Depois de alguns momentos de solidariedade comovente - as enormes manifestações na Espanha, os três minutos de silêncio cumpridos através de toda a Europa -, caímos de novo numa amarga desorientação. Isso já tinha acontecido meses depois do 11 de Setembro, quando europeus e americanos discordaram sobre a forma de responder ao assalto lançado por Osama Bin Laden. Agora, aconteceu apenas alguns dias depois do 11 de Setembro da Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentadores americanos de direita acusam a Espanha de "apaziguamento". É um erro grosseiro. Mais de três quartos do eleitorado espanhol votou numa defesa maciça da democracia face ao terror. Cada votante espanhol foi um soldado na "guerra ao terror". Votaram de diferentes maneiras e por toda a espécie de razões. Historicamente, a afluência elevada às urnas favorece a esquerda. Alguns dos antigos comunistas votaram útil nos socialistas. Muitos votos indecisos resolveram punir o Governo conservador de José Maria Aznar por ter atribuído inicialmente os ataques à organização terrorista basca ETA. E alguns também foram emocionalmente levados a culpá-lo por ter feito da Espanha um alvo mais provável do terrorismo, ao ter apoiado a guerra de Bush no Iraque. Mas dizer que este voto significa "apaziguamento" é uma afronta estúpida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que diz respeito às intenções de voto, o resultado das eleições não foi subjectivamente uma vitória para a Al-Qaeda. Mas é, como os marxistas costumavam dizer, uma vitória objectiva. As bombas de Madrid conseguiram exactamente aquilo que uma mensagem colocada há meses num "site" islâmico radical dizia que deveriam conseguir: explorar o momento eleitoral para empurrar a Espanha para fora da coligação "dos cruzados sionistas" no Iraque. Conclusão: o terror funciona. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema foi acentuado por uma primeira conferência de imprensa desastrosa do novo primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, que tem um nome longo mas uma experiência curta. Teria sido um erro renegar as suas promessas eleitorais: incluindo a de retirar as tropas espanholas do Iraque, a não ser que um pleno mandato da ONU mudasse radicalmente a natureza da ocupação. Contudo, o tom veemente com que repetiu as suas críticas à política anglo-americana, falando de uma guerra baseada "em mentiras" e instigando Blair e Bush à autocrítica, era o tom adequado a um comício eleitoral anterior às bombas, mas não o tom de um homem de Estado assumindo a liderança de uma nação que está agora na linha da frente da defesa internacional da liberdade contra o terror. "Não se pode pura e simplesmente bombardear as pessoas", disse Zapatero. As bombas a que se estava a referir não eram as da Al-Qaeda que tinham acabado de massacrar o seu próprio povo, mas as bombas americanas lançadas sobre o Iraque há um ano. Foi quase como se Bush e Blair tivessem colocado as bombas da Estação da Atocha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como resultado, os americanos estão de novo a denunciar a cobardia dos europeus, a França está a celebrar tranquilamente o regresso da Espanha à "velha Europa" e toda gente está a confrontar Bush com o Iraque, em vez de confrontar em conjunto as ameaças de hoje às nossas liberdades. Como os Bourbons, não nos esquecemos de nada, não aprendemos nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguem-se algumas das coisas sobre as quais devíamos estar a discutir. Um dos homens que está alegadamente por trás das bombas de Madrid, Jamal Zougam, estava a viver em Espanha sob investigação da polícia ou dos serviços de informações de, pelo menos, três países - Espanha, França e Marrocos. Porque é que nenhum deles conseguiu perceber o que andava a fazer? Como podemos melhorar a cooperação policial e dos serviços de informações na Europa e com América? Que mudanças estamos dispostos a aceitar? Penso, por exemplo, que deveríamos passar a ter um bilhete de identidade que teríamos de trazer sempre connosco. E que tipo de limitações às liberdades civis nunca deveremos aceitar? Resposta: Guantanamo ou qualquer equivalente europeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que conseguimos fazer com que os muçulmanos se sintam melhor na Europa, secando o pântano do qual os mosquitos terroristas se alimentam? Temos pelo menos 12 milhões de muçulmanos na União Europeia, a grande maioria dos quais são cidadãos pacíficos, cumpridores da lei, horrorizados por estes actos, embora uma minoria significativa viva em condições de pobreza, esteja desempregada e alienada. Para a encontrar, basta calcorrear uma das pequenas praças do bairro madrileno de Lavapiés, que era um dos lugares frequentados por Jamal Zougam. Lembro-me de ter conversado, nesse mesmo local, com um rapaz do seus 20 anos, desempregado, imigrante marroquino ilegal, que me disse que "os judeus" eram provavelmente os responsáveis pelo ataque às Torres Gémeas de Nova Iorque. Admitia abertamente que ganhava a vida através do pequeno crime, porque, como dizia, não conseguia obter os papéis necessários para trabalhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que integramos estes imigrantes muçulmanos nas nossas sociedades? Dizendo às suas filhas que não podem usar o véu na escola? Um grupo autodenominado de "Servidores de Alá" enviou uma carta aberta ao primeiro-ministro francês denunciando a proibição do véu como "uma declaração de guerra ao mundo islâmico". Recuar agora perante estas ameaças também é mau. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, há toda a agenda da reforma do Grande Médio Oriente, de Marrocos ao Irão. Claro que devíamos ter começado pelo conflito israelo-palestiniano, que, mais do que o Iraque, é um lugar privilegiado de recrutamento da Al-Qaeda. Pouco mais acontecerá nesta frente até depois das eleições presidenciais na América. Mas no dia 5 de Novembro a Europa devia agarrar no telefone e falar com o Presidente eleito, seja ele Kerry ou Bush, dizendo a uma só voz: é isto que tem de fazer a seguir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano depois, até podemos desejar nunca ter ido para o Iraque. Mesmo que uma análise serena possa sugerir que a Administração Bush teria ido para a guerra em quaisquer circunstâncias, podemos acusar Blair por a ter seguido tão entusiasticamente. Mas, agora que estamos lá, seria um crime e uma completa loucura desejar que a reconstrução democrática do Iraque falhe. Nós, europeus, temos nisso um interesse vital ainda maior que os americanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas são apenas algumas das coisas que deveríamos discutir. Mas não estamos a fazê-lo. Conta-se que a orquestra continuou a tocar enquanto o "Titanic" se afundava. Ainda não estamos a afundar-nos; fomos apenas atingidos por um pequeno icebergue. Mas os vigias e a tripulação estão todos a olhar para a ponte, onde o primeiro-tenente espanhol está a ter uma feia discussão com o seu camarada britânico, o cozinheiro italiano está a maldizer o engenheiro americano, e o aspirante francês está a admirar-se ao espelho, enquanto icebergues muito maiores os esperam ao longe».&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-107980396272413203?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107980396272413203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107980396272413203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107980396272413203' title='BEM-VINDOS A BORDO DO &quot;TITANIC&quot;'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-107980293086325853</id><published>2004-03-20T17:13:00.000Z</published><updated>2004-03-20T17:18:53.186Z</updated><title type='text'>EUROPA AINDA À PROCURA DE UMA ESTRATÉGIA COMUM</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Teresa de Sousa&lt;/strong&gt;, n'&lt;strong&gt;&lt;a href="http://jornal.publico.pt/2004/03/20/Destaque/X04.html"&gt;O Público&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de hoje: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«1. Até 11 de Março, o primeiro aniversário da guerra no Iraque tinha sido previsto com um guião diferente. Cépticos em relação à guerra, críticos intransigentes da guerra ou apoiantes de Washington, a grande preocupação dos governos europeus era continuar a manter baixa a tensão entre os dois lados do Atlântico e ir superando as feridas abertas na União Europeia pela crise iraquiana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde Setembro de 2003, o mapa dos acontecimentos políticos europeus seguia esse caminho sem grandes derrapagens. A primeira cimeira de Berlim entre o Presidente Jacques Chirac, o chanceler Gerhard Schroeder e o primeiro-ministro Tony Blair foi o primeiro ensaio público de uma reaproximação ditada pelo realismo político. Na sede da NATO, em Bruxelas, a "febre" dos dias da guerra dava lugar a um ambiente mais construtivo entre os aliados. Testado no Afeganistão, onde a NATO comanda a ISAF desde Agosto, e nos planos de contingência para o Iraque pós-transição. Na União, a fase final das negociações em torno da nova Constituição reflectiu esse estado de espírito, permitindo avanços significativos no domínio da defesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fruto de uma crescente tomada de consciência das novas circunstâncias internacionais - e das novas ameaças do terrorismo, da proliferação de armas de destruição maciça, dos estados "falhados" -, os governos europeus conseguiram mesmo levar até ao fim a elaboração da sua primeira "doutrina de segurança" comum, através da qual procuraram partilhar uma visão do mundo pós-guerra fria e pós-11 de Setembro e entender-se sobre as novas responsabilidades europeias na segurança mundial. As divisões não tinham posto em causa três coisas - "preservar a aliança atlântica, restaurar a autoridade das Nações Unidas, e evitar que a guerra preventiva fosse estabelecida como uma norma". Como sintetizou Mark Leonard, do Foreign Policy Center London. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos meses, foi essa a preocupação de quase todos os governos europeus: retomar a normalidade possível das relações entre si e com a América. O chanceler alemão Gerhard Schroeder foi a Washington visitar George W. Bush para selar a reaproximação entre os dois países. Donald Rumsfeld veio a Munique, à reunião anual dos responsáveis pela defesa ocidental, para fazer esquecer as suas diatribes anti-europeias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto foi em Fevereiro. A deterioração da situação no Iraque facilitou este clima de reaproximação. Bush, em ano de eleições presidenciais, precisa de mostrar aos americanos que ainda tem amigos e precisa da ajuda internacional para cumprir o calendário da transição no Iraque, diariamente ameaçado por mais bombas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Mergulhada nos seus problemas internos, na expectativa de um alargamento que continua a suscitar receios, envolvida numa reforma constitucional complexa, a Europa regressava paulatinamente ao "business as usual". O 11 de Março apanhou-a desprevenida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano depois da cimeira europeia de Bruxelas que coincidiu com as primeiras bombas sobre Bagdad, o terrorismo irrompe de novo dramaticamente na agenda europeia, reabrindo as feridas e pondo à prova os novos equilíbrios entretanto encontrados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras reacções à promessa de uma viragem de 180 graus no alinhamento europeu de Espanha, feita por Rodriguez Zapatero menos de 24 horas depois de ter vencido as eleições espanholas, foram prudentes. Paris escolheu ainda os pequenos gestos e as meias palavras para exprimir a sua satisfação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é possível que a diplomacia francesa não deixe passar a oportunidade para contrariar a estratégia americana para os próximos meses no Iraque, na frente europeia e nas Nações Unidas. O chefe da diplomacia francesa, Dominique de Villepin, já deu sinais nesse sentido, numa entrevista ao "Monde": "É imperativo que [o 30 de Junho] marque o regresso a uma real soberania [do Iraque] que garanta verdadeiros poderes aos iraquianos. Ainda não estamos aí. É preciso acelerar o movimento". Villepin evitou, contudo, apoiar abertamente a decisão de Madrid de retirar as suas tropas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Berlim, o ambiente foi ainda mais circunspecto. A Alemanha não deu quaisquer sinais de querer reabrir um diferendo com Washington e continuou a insistir na necessidade da cooperação transatlântica na luta contra o terrorismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. No início do ano passado, quando Washington colocava os aliados perante a decisão de derrubar Saddam Hussein com ou sem o aval da ONU, o eixo franco-alemão viu-se desafiado por um grupo significativo de parceiros europeus, dispostos a afirmar a sua fidelidade à aliança transatlântica em qualquer circunstância. A vontade desse grupo ficou simbolizada na célebre "Carta dos Oito", encabeçada por Londres e Madrid. Com a "baixa" espanhola, este eixo alternativo fica seriamente enfraquecido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tony Blair é o maior perdedor das consequências políticas das bombas de Madrid. Perde o seu aliado mais sólido. Resta-lhe uma Itália desprestigiada a nível europeu e errática na sua política externa. A coligação liderada por Silvio Berlusconi dá sinais de crise. A oposição à guerra foi uma das mais fortes da Europa. Roma pode ser a próxima peça a tombar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os actores menores deste xadrez agora em desequilíbrio são, todavia, os que arriscam mais e os que têm mais a perder. Portugal, a Dinamarca e a Holanda mas, ainda mais, a Polónia e os outros recém-chegados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto maior for a desunião europeia, menor a sua margem de manobra. São já visíveis os primeiros sinais de nervosismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Presidente polaco sentiu pela primeira vez a necessidade de dizer que o seu país foi "levado ao engano" com as armas de destruição maciça. Varsóvia ainda não extraiu consequências desta afirmação. A retirada do contingente espanhol, que integra o comando polaco, é o seu maior pesadelo. O seu desejo é que "a ONU e a NATO venham a ter um papel maior no Iraque". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta à Europa, para contrabalançar o "efeito espanhol", a consciência aguda de que todos são visados pelo mesmo "hiperterrorismo" que as bombas de Madrid vieram brutalmente recordar. Essa consciência existe. A nível dos governos e mesmo a nível dos cidadãos. O desafio que os europeus têm agora pela frente é encontrarem a forma de conjugar a luta antiterrorista com uma estratégia comum para o Iraque. Que preserve a aliança atlântica e que ajude à estabilização do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem isso, regressarão inexoravelmente as divisões. A Velha Europa e a Nova Europa deixarão de novo a Europa sem capacidade para pesar nos acontecimentos e, certamente, muito mais indefesa perante o terrorismo».&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-107980293086325853?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107980293086325853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107980293086325853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107980293086325853' title='EUROPA AINDA À PROCURA DE UMA ESTRATÉGIA COMUM'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-107980220719944662</id><published>2004-03-20T17:02:00.000Z</published><updated>2004-03-20T17:08:28.686Z</updated><title type='text'>CARTA À AL-QAEDA DE UMA CIDADÃ DA EUROPA VENCIDA</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Helena Matos&lt;/strong&gt;, n'&lt;strong&gt;&lt;a href="http://jornal.publico.pt/2004/03/20/EspacoPublico/O02.html"&gt;O Público&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Senhores, sairemos do Iraque. Do Afeganistão. Dizei Senhores da Vossa vontade e nós assim o faremos. Nem mais livros, pinturas, esculturas... que Vos ofendam. Dizei só o que quereis que apaguemos, queimemos, destruamos. Que tudo faremos, senhores. Para que haja paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoar-me-ão mas não sei como Vos hei-de dirigir esta carta. Não por falta de emissário. Como sabeis, há no meu país quem se tenha proposto falar convosco. Mas receio que o nosso emissário não Vos fale do meu propósito. Acontece que eu sou uma simples mulher e, como o nosso autoproposto emissário bem sabe, Vós não achais as mulheres capacitadas para tratarem destes assuntos. Assim, evitando criar embaraços ao nosso emissário, tomei a iniciativa de Vos dirigir abertamente esta carta. Contudo, desde já Vos digo: se Vos considerardes ofendidos cada vez que nas páginas dos nossos jornais observais um rosto de mulher então nós deixaremos de aparecer. Que não seja em nome das mulheres que se faça a guerra. E nós, Senhores, tudo faremos para que haja paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se também Vos parecer adequado, cobriremos as nossas cabeças e os nossos rostos, para que o Vosso pensamento não se turve ao fitar-nos nas ruas. E, claro, para que haja paz. De igual modo, se Vos parecer bem, nós, as mulheres, deixaremos de ocupar cargos políticos pois compreendemos perfeitamente que Vos ofenda a hipótese, embora remota, de Vos mandarmos uma ministra. Jamais tal acontecerá. Para que haja paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas nossas escolas ensinaremos que o mundo muçulmano não se tem desenvolvido não por não ser democrático mas sim porque o Ocidente não deixa. E desde já, Senhores, aguardamos a Vossa inspirada explicação para o facto de hoje ser a nação mais poderosa do mundo aquela maldita terra que só tinha índios, perus e os bêbedos, ignorantes e tarados sexuais que nós para lá mandávamos quando Vós já estáveis aprofundando esses caminhos da verdade. Mas, Senhores, para que haja paz e não rebentem bombas nas nossas escolas ensinaremos o que achardes certo. Só esperamos que nos digais o que é certo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais referiremos que a separação da religião do Estado foi determinante no progresso do Ocidente. Isso não só pode legitimamente ser interpretado por Vós como uma crítica ao Estado islâmico que quereis erguer, como revela logo uma perfídia da nossa parte: afinal seremos nós mais desenvolvidos que Vós? Quem, a não ser os nossos líderes, pervertidos pelo Grande Satã (esses líderes que nós substituiremos por aqueles que Vós sabiamente nos indicareis!), nos garante que existe alguma superioridade na vida do Ocidente? O que valem os nossos serviços de saúde, a nossa educação, os nossos museus, o nosso Estado de direito, os nossos partidos políticos... ao pé dos tesouros de saber e de espiritualidade que se encerram nessas vidas regidas pelos ditames dos "mullahs"? Para que haja paz, Senhores, jamais exaltaremos este ocidente ao qual desde já retiro a maiúscula esmagada pela superioridade do Vosso pensamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das nossas cidades baniremos os símbolos do nosso modo de vida, sejam eles as torres ou as grandes empresas multinacionais. Acabaremos com os grandes acontecimentos que justamente podem ser interpretados por Vós como uma tentativa de Vos humilhar ou chocar. Para que haja paz tudo faremos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se achardes bem acabaremos também com esses espectáculos que conspurcam as Vossas almas tão preocupadas com o pecado. Nem "rock", nem corpos desnudos nas praias, nem mais livros, pinturas, esculturas... que Vos ofendem. Dizei só o que quereis que apaguemos, queimemos, destruamos. Que tudo faremos, Senhores. Para que haja paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E claro, Senhores, sabemos bem que a Vossa alma não pode tolerar que chamemos irmãos aos judeus. Descansai, senhores que, de agora em diante, jamais tal acontecerá. E mesmo quando, como aconteceu nesta semana, os soldados de Israel detiverem um menino palestiniano de dez anos com o corpo enlaçado por um cinto de explosivos, nós, Senhores, apenas falaremos da espiral da violência e colocaremos no mesmo prato da balança um exército e os homens que ficaram nas suas casas à espera que o menino se explodisse. Mas se, mesmo assim, não ficardes satisfeitos, Senhores, avisai e nós condenaremos os soldados de Israel e chamaremos resistentes aos homens que mandam meninos para a frente dos tanques ou explodir-se em Israel. Para que haja paz, o faremos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E claro, Senhores, sairemos do Iraque. Do Afeganistão. Mas estremecem-nos as almas pensando como poderemos expiar nós a tamanha agressão que Vos fizemos. Quantas dores e trabalhos tereis para fazer esquecer àquela gente as constituições que assinaram. O sonho de uma nova vida. O desfazer do projecto nuclear líbio. O vento de mudança na Síria e no Irão... Ó Senhores, perdoai-nos que a nossa arrogância foi infinita e Vós bem nos avisasteis! Ó Senhores, perdoai-nos esses tempos de tentação. Esquecei para sempre a afronta que Vos fizemos em Timor. Como não percebemos a tempo que a luta pela independência do povo de Timor era uma ofensa tão grande para todos os muçulmanos?! Como foi tão grande a nossa cegueira?! Como foi possível termos pedido, exigido a intervenção dos EUA naquele território para erradicar de lá o poderio das milícias muçulmanas? Ó Senhores, perdoai-nos que não foi por mal e, se quiserdes, hoje mesmo, exigiremos que o Nobel da Paz seja retirado a Ramos Horta. Para que haja paz. E, claro, a cada dia 11 ficaremos fechados nas nossas casas, sussurrando para não despertar a Vossa justa ira, agradecendo a cada segundo a Vossa clemência por ainda não nos terem degolado, rebentado, queimado com ácido, lapidado... O facto de estarmos vivos não é afinal a prova que faltava da Vossa bondade e tolerância?! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que mais quereis que façamos, nós, portugueses? Sobretudo, como poderemos expiar o pecado original de termos, no nosso corpo, misturado o sangue dos judeus com o dos muçulmanos? E a Reconquista? Quereis Vós reinstaurar o Al-Andaluz? Dizei Senhores da Vossa vontade e nós assim o faremos. Para que haja paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que haja paz bombardeai o que quiserdes, matais quem quiserdes, desde que seja bem longe daqui. Para que haja paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. - Tende cuidado com o nosso emissário. Sabei Senhores que há quase trinta anos não hesitou em chamar paranóicos àqueles que queriam instaurar o comunismo em Portugal. Pensou mesmo que, se fosse necessário, portugueses combateriam contra portugueses para que tal não acontecesse. Hoje o nosso emissário defende que se negoceie com quem nos mata. Mas há sempre o risco de que o velho democrata desperte nele. Por mais que Vos custe a acreditar em tal heresia, há ainda entre os portugueses quem espere que o nosso emissário perceba que a ameaça de hoje não é menos grave que a de 1975, argumentando que, antes pelo contrário, aqueles a quem ele chamou paranóicos apenas nos queriam governar de outro modo. Em nome do socialismo. E Vós apenas nos quereis matar. Em nome da paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Senhores, que voltas darão hoje os paranóicos de outrora ao perceberem que, em 1975, não deviam ter falado de socialismo mas sim de paz. Acreditai, Senhores, mudam-se os tempos e dobram-se as vontades. Para que haja paz!»&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-107980220719944662?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107980220719944662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107980220719944662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107980220719944662' title='CARTA À AL-QAEDA DE UMA CIDADÃ DA EUROPA VENCIDA'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-107975762156003925</id><published>2004-03-06T04:36:00.000Z</published><updated>2004-03-20T04:43:42.763Z</updated><title type='text'>A CASA EUROPEIA DIVIDIDA</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Christoph Bertram&lt;/strong&gt; n'&lt;strong&gt;&lt;a href="http://jornal.publico.pt/2004/03/06/EspacoPublico/O03.html"&gt;O Público&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de hoje&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Viajar entre Berlim e Riga, a capital da Letónia, é revelador, porque se consegue ver muito daquilo que está hoje a acontecer de errado na integração europeia, apenas meses antes de mais dez Estados entrarem na União Europeia, elevando para 25 o número de membros, originalmente seis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Berlim, antes de eu partir, o chanceler Gerhard Schroeder tinha acabado de dar as boas-vindas aos seus colegas francês e britânico, para uma troca de pontos de vista sobre o estado e o futuro da União. Os chefes dos três maiores membros da UE frisaram que só estavam a avançar com propostas; nada podia estar mais distante das suas mentes do que constituir um grupo para conduzir as questões da Europa alargada, mesmo se de agora em diante vão reunir-se a intervalos mais ou menos regulares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se de facto esperavam que acreditassem neles, deviam ter ouvido os meus interlocutores na velha cidade de Riga nos dias seguintes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três países bálticos - Letónia, Estónia e Lituânia - estarão entre os membros mais pequenos da União quando aderirem em 1 de Maio, com o seu total de seis milhões de habitantes a representar apenas 1,5 por cento da população da UE. No entanto, em contraste flagrante com os países mais pequenos que meio século antes, em conjunto com França, Itália e Alemanha, tinham criado a antecessora da UE, a Comunidade Económica Europeia, estes recém-chegados estão teimosamente a exigir direitos iguais. Embora, como pequenos países, tenham aprendido que os grandes levam habitualmente por diante a sua vontade, ficaram profundamente ressentidos com a reunião de Berlim, por verem nela uma tentativa para limitar os seus direitos no clube a que estão prestes a juntar-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As atitudes dos pequenos e grandes países da UE sugerem que já não é considerado justo o entendimento básico que preside à integração europeia. Segundo esse entendimento, os Estados maiores aceitavam restrições ao seu poder para aumentar o peso da União como um todo, enquanto os mais pequenos compreendiam que pertencer ao clube lhes dava uma hipótese que de outra forma não teriam, nomeadamente participar na definição de políticas comuns. A Europa, em tempos o continente dos choques e equilíbrios de poder, tornou-se uma comunidade de direito, onde grandes e pequenos seguem regras comuns para atingir decisões comuns. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, como Berlim e Riga sugerem, o poder está a regressar à carta de trunfo. A autoridade dos grandes países deriva não das suas credenciais europeias, mas do seu estatuto de poder; o ressentimento dos pequenos países provém não de uma noção diferente de integração, mas do seu medo de ficarem a perder. O que costumava resultar como um acordo vantajoso para todos, grandes e pequenos, parece agora a muitos deles um jogo do qual nada há a ganhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há explicações para isto. Numa União que terá em breve 25 membros, será cada vez mais difícil que todos tenham uma palavra e gerar consensos. Mais: em questões de política externa e de segurança, o acordo entre os pesos-pesados da União é essencial para a acção comum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menos que a França, a Grã-Bretanha e a Alemanha concordem, há poucas hipóteses de a União poder agir com eficácia no palco internacional. Ao mesmo tempo, ceder soberania em troca da integração é duro para os novos membros da Europa Oriental que apenas há uma década lutavam pelo direito de se governarem fora do controlo soviético. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, grandes e pequenos devem compreender que a sua actual disposição implica a asfixia lenta da mais excitante e bem sucedida experiência europeia para trazer paz e prosperidade ao Velho Continente. Para a salvar, os maiores terão mesmo de assumir o comando. Mas, em vez de proporem soluções preparadas para que os outros se limitem a aprovar, a liderança terá de consistir em trabalhar com os outros membros, com paciência e discrição, para que todos ou pelo menos a maior parte sintam que estão envolvidos na formulação de posições comuns. Só então os membros mais pequenos se sentirão devidamente respeitados. Só então todos os membros voltarão a concentrar-se em realizar coisas para todos, em vez de cada um tentar conseguir o máximo para si. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos que acreditam que este género de liderança paciente é incompatível com uma União de 25. A França e a Alemanha, actuando juntas, foram capazes durante muitos anos de proporcionar este tipo de liderança, e isto deve ser recordado. Sempre que surgiam com uma proposta, os outros davam-lhes o crédito de que era feita no interesse da União como um todo; sempre que havia um impasse, os outros olhavam para a liderança de Paris e Bona/Berlim para que o superasse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado, os governos alemães orgulhavam-se e justamente por serem olhados pelos membros mais pequenos como o melhor parceiro, essencial para o funcionamento da liderança franco-alemã. Hoje, a Alemanha juntou-se à França na negligência dos membros mais pequenos para ser reconhecida como um dos grandes. Por isso, o casal franco-alemão perdeu o crédito que em tempos tinha. A chamada da Grã-Bretanha é uma admissão desse facto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas porque a Grã-Bretanha continua a ser morna em relação à integração europeia, o trio nunca pode servir como motor para fazer avançar a Europa. Mesmo numa União alargada, apenas a França e a Alemanha podem fazer esse trabalho, desde que façam um esforço determinado para recuperar a confiança dos outros membros, na maioria mais pequenos, velhos e novos. Embora estes esperem pouco de uma França com frequência indiferente, ainda estariam dispostos, como a discussão em Riga sugere, a depositarem a sua confiança na Alemanha - se ao menos os governos alemães voltassem a mostrar que se importam como eles.»&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-107975762156003925?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107975762156003925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107975762156003925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107975762156003925' title='A CASA EUROPEIA DIVIDIDA'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-107975696518543390</id><published>2004-03-06T04:26:00.000Z</published><updated>2004-03-20T04:36:55.110Z</updated><title type='text'>CÉREBROS, RISCO E OBJECTIVOS</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;José Manuel Fernandes&lt;/strong&gt;, n'&lt;strong&gt;&lt;a href="http://jornal.publico.pt/2004/03/06/EspacoPublico/OEDIT.html"&gt;O Público&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«A Europa, como ontem vimos, está a perder muitos dos seus cérebros para os Estados Unidos. Mas não a Europa toda: no Norte do Continente três países - a Finlândia, a Suécia e a Noruega - resistem. Mais: lideram, já que em qualquer deles há mais investigadores por cada mil activos do que nos EUA. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso finlandês é o mais impressionante. Entre 1995 e 2001 o seu investimento em investigação científica passou de dois por cento do PIB para quase 3,5 por cento, o dobro da média europeia. Com 16 investigadores por cada mil activos, o pequeno país lidera folgadamente a tabela mundial e, com mais metade destes empregados no sector privado, contraria ainda a regra europeia de uma maior dependência do Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso finlandês é de tal modo único que Manuel Castells, o sociólogo catalão da Universidade de Berkeley que melhor estudou as novas realidades da sociedade da informação, dedicou o seu último livro aos seus "segredos". Que passam por uma grande coesão nacional e pela capacidade de construir um consenso em torno de objectivos que permitem que todos remem para o mesmo lado. O número de universidades multiplicou-se (eram três em 1987, são 25 hoje), mas não começou cada uma a fazer o que entendia. A aposta nacional são as novas tecnologias, a grande marca nacional é a Nokia, pelo que em vez de multiplicar os cursos de papel e lápis, multiplicam-se os cursos tecnológicos e as universidades apostam numa ligação íntima ao tecido produtivo e empresarial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outras palavras: a Finlândia não aplicou apenas mais dinheiro na investigação e desenvolvimento e no sistema educativo, também foi capaz de o aplicar bem. Exactamente o contrário do que tem sucedido em Portugal, onde o crescimento do investimento público e privado, mesmo que muito insuficiente, tem tido resultados abaixo do exigível para o dinheiro que se gasta. Importa perceber porquê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comparação com a Finlândia dá algumas pistas, sobretudo se notarmos a capacidade que os finlandeses tiveram para definir objectivos que associassem a indústria e a universidade e a alegre irresponsabilidade com que em Portugal se multiplicam os cursos moldados apenas em função dos interesses dos professores e das suas pequenas capelas. A isto chama-se falta de capacidade de definir e prosseguir objectivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra de Manuel Castells e outro modelo de sucesso - o de Silicon Valley, na Califórnia - dão outras pistas. Uma delas é a ausência de uma cultura de risco. Enquanto por cá se financia o desenvolvimento com base nos subsídios regionais, na Califórnia explora-se a disponibilidade de capital de risco - capital de risco cuja falta é, para Castells, "a grande inferioridade da Europa". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dossier do "Le Monde" que ontem citámos um bioquímico francês actualmente a trabalhar em Nova Iorque, Claude Desplan, sublinhava outros dois aspectos essenciais para o sucesso das carreiras de investigação: a noção de que o doutoramento não é o fim mas o princípio da carreira e que isso implica que o período de pós-doutoramento continue a ser submetido a avaliação; e a convicção de que "a investigação científica não é uma obra social, antes um sector muito competitivo", o que implica ser capaz de distinguir os melhores com mais meios e melhores salários em lugar de os abandonar à rotina "protegida" de uma carreira medíocre. Ou seja, fazer exactamente o contrário do que fazemos em Portugal.»&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-107975696518543390?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107975696518543390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107975696518543390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107975696518543390' title='CÉREBROS, RISCO E OBJECTIVOS'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-107975666320386797</id><published>2004-03-01T04:22:00.000Z</published><updated>2004-03-20T04:37:58.950Z</updated><title type='text'>O FUTEBOL NA POLÍTICA</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;José Manuel Fernandes&lt;/strong&gt; n'&lt;strong&gt;&lt;a href="http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1187332&amp;idCanal=106"&gt;O Público&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Este fim-de-semana mostrou até que ponto a linguagem da política se resume hoje, sobretudo para consumo dos telejornais, à linguagem mais rasteira do futebol. Tivemos assim o PS a pedir que os eleitores mostrassem nas próximas europeias um cartão amarelo ao Governo, parada que o PCP, fiel aos seus pergaminhos, subiu logo para o pedido de um cartão vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado do Governo, um dos políticos mais habituados a alternar entre os lugares públicos e os recintos desportivos, respondeu pedindo, por sua vez, novo cartão vermelho, desta vez para ser mostrado a toda a oposição. Mais: como se as europeias fossem um jogo de futebol, a coligação PSD-PP inventou o mais impensável dos slogans, "Força Portugal!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria irrelevante se não fosse duplamente significativo. Significativo do empobrecimento da linguagem utilizada no espaço público e significativo da total desvalorização do carácter europeu das eleições de Junho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a Europa dissesse às pessoas mais do que transferências de fundos e regras orçamentais estritas e os partidos tivessem no seu horizonte algo mais do que a política interna, a próxima campanha europeia até podia ser interessante, até porque desta vez existem reais pontos de clivagem entre os chamados "partidos do consenso europeu". Para além das questões institucionais - isto é, debate sobre a reforma dos Tratados e o projecto de Constituição Europeia - onde PS e PSD têm estado no essencial de acordo (apesar das clivagem internas), há um conjunto de opções que a União Europeia terá de enfrentar que serão bem menos consensuais. Por exemplo: deve a UE ter formas de governo económico que coordenem as políticas dos diferentes Estados? devem os países do clube do euro manter um Pacto de Estabilidade e Crescimento e, devendo mantê-lo, como é que neste devem ser estabelecidas as regras para o limite dos défices públicos? o caminho da integração das políticas externa e de defesa deve orientar-se para criar uma Europa-potência rival dos Estados Unidos ou deve ser mantido o enfoque numa boa relação transatlântica? deve o prosseguimento da "Agenda de Lisboa" acentuar as componentes liberalizantes e desreguladoras, como têm defendido o Reino Unido e a Espanha, ou devem os Estados europeus manter uma maior presença na economia, na tradição francesa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre qualquer destes domínios encontramos visões bem distintas nos actuais PS e PSD, visões que permitiriam um debate europeu menos provinciano e umbiguista do que o caracterizou anteriores eleições. Mas nada disso deverá suceder. Ansiosos por medirem forças eleitoralmente, todos os partidos vão fazer das europeias apenas a primeira etapa de uma maratona que só terminará dois anos depois, nas legislativas de 2006. Por isso vão discutir assuntos domésticos. A economia, como pretende o PS. A má governação, como acrescenta o PCP. Ou a vitória sobre o défice, como se defende a maioria governamental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Europa e os seus dilemas nem como pano de fundo deverá aparecer, a não ser na sua versão futebolística: é que as eleições coincidem com o Euro 2004 e, na véspera da ida às urnas, Portugal estreia-se contra a Grécia. Mais: no próprio dia das eleições, o único confronto franco-britânico que interessará aos portugueses pouco terá a ver com as divergências entre Chirac e Blair, antes com os talentos que Zidane e Beckam forem capazes de mostrar no Estádio da Luz... »&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-107975666320386797?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107975666320386797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107975666320386797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107975666320386797' title='O FUTEBOL NA POLÍTICA'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-107975635423568246</id><published>2004-02-28T04:15:00.000Z</published><updated>2004-03-20T04:39:02.450Z</updated><title type='text'>QUEM OUVIU FALAR DE SOUAD?</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Helena Matos&lt;/strong&gt;, n'&lt;strong&gt;&lt;a href="http://jornal.publico.pt/2004/02/28/EspacoPublico/O02.html"&gt;O Público&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Poucos ouviram falar de Souad. Na verdade, Souad nem sequer existe. Souad é simplesmente o nome fictício duma mulher nascida na Cisjordânia. Apesar das reportagens diárias sobre os territórios palestinianos ocupados por Israel, é extraordinário que nunca nos interroguemos sobre o facto de raramente vermos reportagens sobre os palestinianos. Sobre a sua economia, as suas escolas, os seus hábitos. A sua vida. Vemos os filmes dos mártires, as imagens das mulheres chorosas no dia do funeral, as casas destruídas pelo exército israelita, o muro dividindo os territórios... mas mais nada - ou seja, salvo honrosas excepções, da vida dos palestinianos vemos o "making-off" dos atentados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivesse Souad feito detonar um cinto com explosivos à cintura e todos a teríamos visto e ouvido, mas a história de Souad é outra. Aos 17 anos ela ficou grávida e para a sua família só havia uma saída: matá-la para salvarem a sua honra. O parente escolhido para a executar, um cunhado, regou-a com gasolina e pegou-lhe fogo. Algumas vizinhas não resistiram aos gritos de Souad e levaram-na para um hospital em Ramallah onde os serviços hospitalares não a trataram, mas simplesmente esperavam que morresse. O que não aconteceu, porque uma ONG propôs um estranho negócio à família de Souad que, entretanto, rondava o hospital para, de uma vez por todas, cumprir a sentença: eles faziam de conta que Souad morrera e eles deixavam Souad partir para a Europa. Assim, à hora a que Souad deixava a sua terra em direcção à Suíça, a sua família celebrava a sua morte e portanto a reposição da sua honra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este caso está longe de ser único. Sexta-feira, quando escrevo esta crónica, é notícia o assassinato, num hospital de Istambul, duma mulher condenada à morte pela sua família por ter tido um filho duma relação extramatrimonial. Guldunya Toren, assim se chamava esta jovem mulher, estava hospitalizada para ser tratada aos ferimentos sofridos há uma semana, quando os seus irmãos a tentaram assassinar em plena rua. Desta vez, os irmãos Irfan y Ferit Toren não se enganaram no alvo: entraram no hospital e atiraram à cabeça de Guldunya Toren. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os crimes de honra são uma prática frequente em países como a Turquia, o Egipto, a Jordânia, o Paquistão, o Iémen ou nos territórios sob o controlo da Autoridade Palestiniana. Contudo, a cobertura informativa nestas regiões vive do "mártir do dia" contra os EUA e Israel. Por ironia, pode acontecer que algumas das mulheres das quais vemos grandes planos da cara a chorarem os filhos que se fizeram explodir também tenham chorado as filhas que desonraram a família. Mas sobre essas lágrimas ou sobre a ausência delas não existiram notícias. Tal como não existiram praticamente notícias sobre a recente greve dos jornalistas palestinianos contra as violências que sobre eles exercem os grupos terroristas. Nem sobre a execução sumária de palestinianos acusados de colaborarem com as forças israelitas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornalistas "aceitam ser manipulados, preferindo não fazer a sua própria investigação, para que se venda um produto que hoje se chama politicamente correcto" - declararam num lado oposto do mundo, Bertrand de la Grange, antigo correspondente do jornal "Le Monde" para o México e América Central, e Maité Rico, do jornal "El País", a propósito da morte do bispo guatemalteco Juan Gerardi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assassinado em 1998, o bispo Juan Gerardi tinha acabado de publicar um relatório, em que acusava o exército de ser o grande responsável pelos 150 mil mortos e 50 mil desaparecidos da guerra civil que lavrou na Guatemala entre 1960 e 1996. Assim, perante a sua morte tornou-se uma evidência que eram os militares os responsáveis pelo assassinato. Como convinha, três militares e um padre, apresentado como cúmplice dos mesmos militares, foram condenados pelo homicídio de Juan Gerardi. Contudo, os vilões deste caso estavam inocentes, como apuraram os jornalistas Bertrand de la Grange e Maité Rico. Dir-se-á que de condenados inocentes está cheia a América Latina. Infelizmente isso é certo. O que não era habitual é que sectores tidos como progressistas e organizações que lutaram pelos direitos humanos combatessem as investigações jornalísticas e preferissem que não se apurasse a verdade, sob o pretexto de que, neste caso, a verdade servia a extrema-direita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esta opção pela realidade conveniente denunciada por Bertrand de la Grange e Maité Rico que prevalece em muitos dos retratos que nos chegam do mundo e muito em particular do Médio Oriente. Denunciar a corrupção da Autoridade Palestiniana, o terror espalhado pelos grupos fundamentalistas, o hipotecar do futuro das novas gerações a um delírio religioso e a uma regressão no saber é inevitavelmente visto como uma distracção, uma beliscadura na verdade conveniente que, no caso, estabelece que dum lado temos o vilão Estado de Israel e do outro os oprimidos palestinianos e, por extensão, o mundo muçulmano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo inquestionável que os palestinianos têm direito a um Estado independente, sendo igualmente inquestionável que o Estado de Israel tem de ser responsabilizado por inúmeros atentados aos direitos dos palestinianos, não se podem colocar no mesmo prato da balança regimes e líderes democraticamente eleitos e regimes despóticos e grupos terroristas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma que tenho a certeza que Israel não tem o direito de redesenhar as suas fronteiras com o dado adquirido de milhares de toneladas de betão, também penso que é criminoso exigir a um povo que, em nome da paz, se deixe matar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faço a menor ideia se o muro é eficaz do ponto de vista defensivo - ignorância em que presumo não estar isolada, pese o tom de especialistas em defesa arvorado pelos seus detractores -, mas tenho a certeza que atrás do fatalismo com que se aceita, quase se exige, que os israelitas deixem entrar os terroristas no seu território há muito do velho anti-semitismo e do menos velho mas igualmente criminoso diletantismo das elites ocidentais, sempre dispostas a transformarem nas suas coqueluches quaisquer almas que gritem contra esse mesmo Ocidente. E como convém a todos os diletantes, quando as coqueluches os cansam e desiludem, esquecem-nas. Não falam delas porque isso os desgosta. África está hoje cheia de regimes despóticos, de genocídios inimagináveis, de crimes e dores para os quais já nem há palavras nem atenção perpetrados por líderes e movimentos aos quais este mesmo Ocidente chamou libertadores. Mas a verdade conveniente de há muito que deixou de se interessar pelo desfeito sonho africano. Tal como não nos fala do martírio de Souad»&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-107975635423568246?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107975635423568246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/107975635423568246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2004_02_01_archive.html#107975635423568246' title='QUEM OUVIU FALAR DE SOUAD?'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6646613.post-108005699957604002</id><published>2001-10-30T15:48:00.000Z</published><updated>2004-03-23T15:53:25.576Z</updated><title type='text'>SINAIS DA MUDANÇA</title><content type='html'>De &lt;strong&gt;Adriano Moreira&lt;/strong&gt;, no &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.dn.sapo.pt/cronica/mostra_cronica.asp?codCronica=321&amp;codEdicao=1037"&gt;Diário de Notícias &lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«A atribuição do Prémio Nobel da Paz ao secretário-geral Kofi Annan e à ONU pode ser entendida como mensagem de uma assumida, e por isso com riscos, interpretação da opinião pública mundial. Lembra aos responsáveis pelo facto de a organização, por cerca de meio século, ter sido posta entre parênteses pela Ordem dos Pactos Militares, que é tempo de assumir a reforma e de finalmente reconhecer que o secretariado, apoiado no aparelho, é um órgão individual autónomo com identidade e função específicas a par dos restantes órgãos colectivos, Conselho de Segurança e Assembleia Geral. E que por isso não pode ser instrumentalizado ou constrangido, designadamente pelo simples facto de os membros da ONU cumprirem desatempadamente o dever de financiamento, com o objectivo de conseguirem alguma pretendida submissão. A ONU conta na sua história com notáveis secretários-gerais, no aparelho nasceu uma mística de serviço e uma utopia de projecto, com relevância para alguns doutrinadores e analistas que fixaram o tipo normativo de servidor do bem comum da Humanidade. Não foi certamente o historial do legado maquiavélico orientador da luta pelo poder nos órgãos colectivos que despertou para a atribuição do prémio, parece mais justificado apontar para a acção, na medida da liberdade que mantiveram, do secretariado e do aparelho, designadamente no que respeita às organizações especializadas sem cuja intervenção as circunstâncias do passivo mundial seriam piores. A decisão foi tomada numa data em que a ansiedade dos meios de comunicação, limitados pela efectiva situação de guerra, ocupa a cena toda mais com hipóteses e interrogações do que com a impossível análise da realidade inacessível. Talvez a atribuição do prémio oriente no sentido de reservar alguma atenção para os sinais indicativos de que algumas linhas de mudança se vão definindo, em grande parte como efeito da turbulência desencadeada sem apoio na experiência passada. No campo ocidental, de que a NATO é principal referência, parece importante a amenização do unilateralismo americano revelada pela invocação do artigo V do Tratado da Aliança Atlântica, e, sobretudo, o facto de ser assumida a "desterritorialização da defesa" imposta pelas novas formas de ameaça. O que exige que seja dado tempo aos estados-maiores para que definam os corolários da solidariedade, mantida e invocada, para o quadro novo da polemologia. O ritmo ansioso da opinião pública vai ter de pacientar designadamente para que os Governos arrumem nas gavetas as teses do fim da História, e assumam a permanência da conflitualidade e da necessidade da sua contenção. Parece de sublinhar que a definição do risco como dirigido aos interesses gerais e comuns da comunidade internacional impulsionou, pela primeira vez, o encontro dos pressentidos pólos estratégicos da era da globalização, EUA, Rússia e China, no sentido de finalmente adoptarem uma perspectiva de corresponsabilidade, sem a qual a reforma da ONU terá maior dificuldade de ser assumida. O cinturão muçulmano que se estende de Gibraltar à Indonésia, dividindo o Norte do Sul do mundo, destaca-se circunstancialmente numa teoria do Ocidente agressor, em que se inscreve, e que no passado teve a adesão de líderes como Nkrumah, Nasser, Mossadegh, Chu-en-Lai, com uma gravidade específica determinante do que se espera ser uma nova lucidez. A mesma que, tendo em conta o anunciado projecto Delors de acordar a Europa, parece dever incluir a meditação sobre o nominalismo actual do pilar europeu, constantemente afrontado pela real incapacidade de intervir nos desafios que lhe abalam a segurança, e pela inquietação que suscita o diálogo privativo de que a Alemanha, a França e a Inglaterra dão notícia. A finda Ordem dos Pactos Militares (NATO-Varsóvia) implicou, como em todos os equilíbrios, uma definição, nem sempre explicita, da "tolerância" entre as potências dominantes: os casos da Grécia, da retirada russa da Áustria, da invasão da Hungria e da Checoslováquia, o recurso a interpostas entidades combatentes, como aconteceu em África, designadamente com o uso dos cubanos, tudo corresponde a essa definição das agressões toleradas aos princípios e aos interesses. A aproximação em curso vai inevitavelmente exigir uma dolorosa nova definição, processo em que pode antecipar-se que estarão presentes temas como os de Israel e Palestina, com uma inegável eficácia causal no conflito em curso, a Chechénia, Cachemira, povos mudos como os curdos, pluralismo de leituras dos Direitos Humanos como é exigido pelo asiatismo. É para encontrar o sentido da medida que escasseiam as grandes lideranças, nova carência inquietante nesta turbulenta entrada no século XXI. Uma turbulência de que nenhum Estado pode imaginar-se abrigado, mesmo a título colateral. Uma circunstância em que não são credíveis neutralidades tranquilizantes. Uma trama de riscos em que o regresso à legitimidade da ONU não parece dispensável».&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6646613-108005699957604002?l=nacosdeprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108005699957604002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6646613/posts/default/108005699957604002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nacosdeprosa.blogspot.com/2001_10_01_archive.html#108005699957604002' title='SINAIS DA MUDANÇA'/><author><name>JPD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09644693864031623343</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/JPDIAS/JPD02.jpg'/></author></entry></feed>
